Conheça a história da paraense eleita a melhor cabeleireira do país

Decidi mostrar que eu tinha capacidade: a história da paraense eleita a melhor cabeleireira do país.

A melhor cabeleireira do país. De Soure para o mundo! Foi com muita fé, luta e determinação que a paraense de 31 anos, moradora do município Soure, na Ilha do Marajó, Adriana Fonseca Silva, se atreveu a ser reconhecida – e premiada! – nacionalmente por aquilo que ama fazer: embelezar!

Em 2019, Adriana recebeu uma honraria do estado do Pará como uma das melhores cabeleireiras do estado, porém o reconhecimento não parou por aí. O prêmio Tesoura de Ouro, ofertado anualmente, concedeu à profissional a honraria máxima de Tríplice Tesoura, a declarando oficialmente como a melhor cabeleireira do país. A disputa, realizada entre 60 profissionais de salões de beleza de vários estados do país, teve uma banca composta por 10 jurados e foi apresentada, devido às medidas de distanciamento social decretadas pelo Ministério da Saúde, online no dia 25 de março de 2020.

“Eu sabia que existia grandes cabeleireiros, donos de mega salões, como meus concorrentes, então eu procurei fazer um trabalho onde eu conseguisse mostrar qualidade e principalmente o amor que sinto pelo meu trabalho”, relata a cabeleireira. Adriana revela, entretanto, que apesar de gratificada com grandes honrarias, não foi fácil o percurso que levou para chegar onde está.

Nascida e criada em uma pequena vila de Soure, a profissional conta que desde nova tinha que ajudar sua mãe com os custos da casa. “Começamos a passar muitas dificuldades, até a nossa casa pegar fogo, daí em diante o que já era ruim, piorou. Ficamos sem nada e passamos a viver de ajuda das pessoas. Sem casa e sem comida e vendo minha mãe se escondendo pra chorar, decidi tomar uma atitude: pedi pra ela fazer um bolo e eu saí para as ruas para vender, todas as tardes quando eu saía da escola”, disse. Foram 3 anos vendendo bolos e ajudando nas despesas, até que sua mãe conseguiu emprego em um hotel, cuja proprietária era dona também de um pequeno salão de beleza. Após um período frequentando constantemente o salão e ajudando na limpeza e organização do ambiente, a dona passou a ensiná-la o trabalho de manicure, entretanto, o sonho mesmo era atuar na área do cabelo.

Logo em seguida, a proprietária mudou-se, fechando o salão. Adriana, então, decide ir para Belém, capital do estado, trabalhar como manicure no salão de uma tia e conseguir pagar um curso profissionalizante, que não tinha no seu município, além de continuar ajudando sua mãe. Sem oportunidade de atuação na área desejada, optou por voltar para Soure e trabalhar por conta própria – provando que tinha sim capacidade!

“Comprei um secador e uma chapinha, e então comecei a atender minhas colegas e vizinhas. Usei uma parte da sala da casa de dois cômodos, que eu, minha mãe e meus irmãos, tínhamos conseguido comprar. Comecei com uma cadeira plástica e um espelho pequeno”, lembra. Um ano e meio depois, quando conseguiu realizar seu primeiro curso profissionalizante, viu seu número de clientes aumentar cada vez mais. Porém, por precisar se aprofundar ainda mais no conhecimento sobre a área, retornou à Belém, onde começou a trabalhar em outro salão de beleza. Com grandes dificuldades, a profissional passou a economizar no que podia para custear seus estudos e moradia. “Eu ia para o trabalho a pé, dava em torno de 2 horas, e guardava o dinheiro da passagem de ônibus para quando eu voltasse para casa não vir andando. Muitas vezes eu ficava até sem almoçar para não tirar dinheiro do ônibus”, conta, decidindo voltar para Soure e, enfim, firmar raiz.

Atendendo mais clientes, Adriana começou a ser mais procurada e conseguiu comprar sua casa e montar seu espaço de trabalho, voltando para Belém eventualmente apenas para realizar cursos e agregar conhecimento na área que tanto ama trabalhar.

Com tantas dificuldades financeiras, desacreditada diversas vezes por ser do interior e morar em bairro periférico, subestimada por pessoas que não acreditavam na sua capacidade, Adriana conta que, mesmo assim, nunca desistiu de lutar por seu sonho: “A minha vontade me fez chegar mais longe”. Ainda hoje recebe comentários de quem não acreditava que ela fosse conseguir tudo o que almejou, mas, acima de tudo, recebe com gratidão os comentários de mulheres que a tratam como inspiração, por nunca ter abandonado sua luta. “Sou a menina que começou a vender bolo na rua acreditando que ia mudar a minha vida”, finaliza.

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